Arquivo | julho, 2012

Me mordo de ciúmes

13 jul

A gente já escreveu aqui sobre ciúmes, né? Eu até entendo quando as pessoas imaginam que, por conta do nosso estilo de vida, é inconcebível sentirmos ciúmes um do outro. Mas o fato é que sentimos. Eu, principalmente. Já falei que odeio o passado dele, as pessoas que ele amou e as coisas que fez. E posso ficar me corroendo sabendo que agora, enquanto escrevo isso, ele está transando com alguém. Mas é um ciúme diferente. Quase bom. E que me dá tesão. Vai entender, né? Então acho que é mais ou menos assim: passado – ciúme ruim, presente – ciúme tesudo! rsrs Mas nesse período em que ficamos indo, vindo e voltando foi ainda pior.

Três semanas sem sair de casa. Só trabalho, supermercado e casa. Longas noites em frente à televisão comendo brigadeiro de colher. Caixas de Kit Kat. Imaginava o que o Ricardo estaria fazendo e comia e chorava cada vez mais. Até que, em um sábado qualquer, entrei numa neura que estava ficando uma bola e cheia de espinhas. Passei a manhã arrumando a casa, tentando não pensar em nós dois. Ao meio dia me arrastei até um restaurantezinho mixuruca e pedi só uma salada. Enquanto mastigava rúculas, brócolis e alfaces, tomei uma decisão: iria me exercitar.

Cheguei em casa e tirei a roupa largona que estava usando e coloquei uma de ginástica. Olhei no espelho e achei que a minha bunda tinha triplicado de tamanho. Enxerguei bordas de catupiri na cintura. Nem precisava fazer o teste da obra (se passar em frente a uma construção e os pedreiros mexerem com você é sinal de que está gorda rsrsrs). Amarrei um moletom na cintura, apesar dos 68 graus que fazia lá fora. Me senti um pouco melhor. Coloquei os tênis, boné e óculos escuros e fui caminhar no Parcão.

Com o som bem alto nos fones de ouvido, me desliguei do mundo. Na segunda volta no parque já me sentia o Rocky Balboa naquela cena clássica do primeiro filme. Podia sentir a gordura desaparecendo e o cheiro de chocolate saindo no meu suor. O que não faz a mente de uma pessoa, né? rsrsrs Apertei o passo, completando mais uma volta. E foi durante a terceira que eu vi, ali perto daquele monumento de pernas longas e que eu não faço nem idéia do que se trata: o Ricardo. Lá vinha ele, uma garrafa térmica em uma mão, uma cuia de chimarrão na outra, todo bonitinho e com uma morena do lado. Ah, para! Gaúcho de meia tigela, quase nunca toma chimarrão, ainda mais num calor daqueles, decerto era só pra fazer uma média com a menina. Ela, encantada, não tirava os olhos dele e ria, se abrindo toda, tal qual uma flor desabrochando. Ele, que sabe bem o que faz, parava, contava suas histórias, prendendo a atenção dela, chegando perto, criando um clima de cumplicidade, sabe aquela coisa de “tá todo mundo aqui, mas somos só nós dois”? Fiquei paralisada. Não conseguia mexer um músculo do corpo, não ouvia mais a música, não via as outras pessoas em volta, nada. Minha vontade era correr até eles e fazer um escândalo, mas ao mesmo tempo eu sabia um monte de coisas: eu que tinha dado um tempo na nossa relação, quando havia uma relação ele tinha liberdade pra fazer isso, quantas vezes eu mesma já tinha feito isso, etc… Mas não era justo! Eu em casa, virando uma bola humana e espinhenta, chorando e sofrendo, e o bacana passeando no parque. E assim, viajando nos meus pensamentos e sem força para me mover, não consegui desviar a tempo, antes que eles chegassem até onde eu estava parada. Quando tentei dar meia volta e fugir pela 24 de Outubro, era tarde demais.

– Nathalia! – o Ricardo chamou. Me virei lentamente, teatralmente, jogando o rabo de cavalo preso no boné de um lado pro outro. Podia estar gorda e espinhenta, mas não ia perder a pose.

– Oiê! – falei sorrido – Nem tinha te visto.

Quando eu digo que ele é sacana profissional, as pessoas não acreditam. Me pegou pela mão e me arrastou até a morena. Nos apresentou (pelo menos não fez gracinhas) e disse que estava muito contente em me ver. E ainda me convidou pra caminhar com eles no parque! Cara de pau! Agradeci e dei um jeito de desaparecer. Fui direto pra casa.

Consegui atravessar a sala sem ir buscar nenhum doce na cozinha, que vitória! Liguei o ar condicionado no máximo (ou no mínimo), no quarto, e me joguei na cama, toda suada. Se por tantas vezes vê-lo com outra mulher me excitou, desta vez estava me derrubando. E na minha cabeça começaram as comparações: ela era mais nova, cabelo mais comprido, cintura mais fina, e o pior, mais magra!! Se não me engano tinha até olho azul! Que raiva. Devia ser lente de contato.

Não sei quanto tempo passou, uma hora, talvez menos. Só sei que chorei. Mas que direito eu tinha de chorar e fazer toda essa cena? Quem era eu pra ficar com ciúme da vadia de olho azul? Que raiva, que raiva, que raiva! E então a campainha tocou.

Me arrastei até a porta e nem olhei no olho mágico. Como o porteiro não avisou, só podia ser alguém conhecido, minha mãe, as crianças, sei lá! Abri a porta e dei de cara com o Ricardo. Puta merda! Além de gorda obesa, agora eu estava toda esculhambada. E provavelmente toda inchada de chorar.

– O que tu tá fazendo aqui? Tu não tem a chave? Custa avisar?

– Boa tarde, de novo, pra ti também. Tenho, mas nem sei se tu não trocou a fechadura, e nem tá aqui comigo. Se eu avisasse tu não ia abrir. E tô aqui porque te amo.

Pronto. Perdi a fala, o ar e a razão. Ele se aproveitou do meu encantamento e já veio me pegando, abraçando e beijando, enquanto batia a porta atrás de si. Caminhamos aos trancos e barrancos, eu de costas, ele me guiando, entrelaçados e com as bocas grudadas uma na outra. Que saudade daquele beijo, daquele gosto, daquele cheiro. Já no quarto, fomos um tirando a roupa do outro, ele a minha roupa suada, e eu as suas roupas engomadinhas. Mas confesso que nem pensava mais na menina. Só queria ele dentro de mim.

Fui lambendo sua boca, seu pescoço, descendo pelo peito, pela barriga, até ficar de joelhos no chão. Nem podia acreditar que aquela delícia de pau estava ali na minha frente, à minha disposição de novo. Alisei-o com carinho, brincando com as bolas. Passei a língua na glande, deixando-a brilhosa e molhada de saliva. Beijei a cabeça, com os lábios bem babados, e fui fazendo escorregá-lo para dentro da minha boca. Chupei com sofreguidão, fazendo-o gemer e se contorcer na minha frente. Por vezes deixava a língua encostada na ponta e, segurando-o pela base, masturbava-o do jeito que ele gosta. E quando chupava mais rápido e mais forte, deixava-o guiar meus movimentos me segurando pelos cabelos.

Sem aguentar mais, ele me puxou para cima, me beijando e sugando a minha língua. Tocou minha buceta com os dedos, sentindo toda a minha excitação. Abri um pouco as pernas e gemi de prazer e de saudade do seu toque. Eu só queria que ele me fodesse. Então pedi:

– Me come?

– Como tu quer? – ele me perguntou, provavelmente querendo saber em que posição eu gostaria de transar.

– De qualquer jeito. Me fode de qualquer jeito. Mata a minha vontade. E a minha saudade.

Ele não pensou duas vezes. Me jogou na cama e me puxando pelas ancas fez com que eu ficasse de quatro, na beirada da cama. Brincou com o pau entre meus lábios, escorregando do meu clitóris até a minha bunda, me deixando com ainda mais tesão. Eu olhava sobre o ombro, a boca entreaberta, e suplicava: “mete… mete…”. Ele, obviamente, se divertia com isso, me provocando, me castigando, sentindo meu mel escorrendo da minha vagina. Mas eu não podia mais esperar: estiquei meu braço para trás, por baixo do meu corpo e entre as minhas pernas e segurei o seu pau, posicionando-o na entrada da minha buceta, e joguei os quadris para trás. Que delícia, que coisa maravilhosa sentindo-o entrando, me abrindo, me preenchendo, me deixando ainda mais tesuda e melada. Ele me deu um tapa na bunda, me dizendo que não era pra ter feito isso, mas pelo menos não saiu de dentro de mim. Pelo contrário, ele enfiou o mais fundo que pôde, e me pegando pelos cabelos, me fudeu do jeito que eu gosto: forte, ritmado, gemendo e me xingando. Em menos de um minuto eu gozei, tremendo inteira, apertando-o dentro de mim, e implorando pra que ele não parasse, pois queria gozar mais vezes.

Ele não parou e nem diminuiu o ritmo. Com a mão livre dava tapas fortes na minha bunda, me chamando de puta, de vadia, de arrombada. Depois que me recompus da primeira gozada, passei a provocar e respondia dizendo que era isso mesmo e muito mais, que dava pra todo mundo e que ele era só mais um. Ele encheu a boca de saliva, largou meus cabelos e, com as duas mãos, abriu bem a minha bunda e cuspiu no meu cu. Eu adorei. Enfiou um dedo, depois dois. Tirou o pau da minha buceta e forçou na minha bunda. Foi metendo sem parar, doía mas era bom, gemi e reclamei de dor, e ele respondeu, fazendo desdém, que eu mesma tinha dito que dava um monte o cu. Bem feito pra mim. Mas já estava melhorando e logo ficou muito bom. Levei minha mão até meu clitóris e gozei de novo, agora junto com ele, sentindo minha bunda se encher de porra.

Ele deitou ao meu lado, me beijou e ficou acariciando a minha bunda, toda vermelha por causa dos tapas.

– Tu acha que eu tô muito gorda? – perguntei. Senti sua expressão de alerta. Mas, se ele fez expressão de alerta, é porque eu estava muito gorda, né?

– Não.

– Muito não? Só um pouco? Eu engordei, né?

Rapazes que estão lendo isso: nos perdoem. Nem nós sabemos a razão de colocar vocês em tamanha saia justa, e na maioria das vezes (não nessa vez) sem fundamento.

– Não. Tá igual.

– Não tô Ricardo. Eu engordei horrores. Tô horrível!

– Não tá! Tu tá linda! Tá gostosa!

– Tá vendo? Tá vendo? Olha o jeito que tu falou gostosa. Tipo falam que a Mulher Melancia é gostosa. Ela é obesa. O-b-e-s-a!

– Não viaja, Nathalia. Tu tá linda.

– Que linda, nada. Tô gorda. Linda era aquela guria que tu tava hoje. Quem é aquela vadia?

– Uma vadia.

– Ah, Ricardo! Nem vem com essa! Agora não vai me falar mais nada?

– Já falei. Uma vadia.

Não sei como ele me aguentou. Deve estar acostumado, né? Tivemos todo esse diálogo e ele, sem perder a calma, continuou fazendo carinho na minha bunda.

– Então vai lá. Vai lá ficar com ela. Beija a boca dela!

Ele me virou de barriga pra cima, forçou minhas pernas, me deixando toda arreganhada e falou:

– Tá, eu vou. Mas ela vai sentir o gosto da tua buceta na minha boca.

E mergulhou a língua dentro de mim. E eu esqueci da guria, da gordura e das espinhas. Pelo menos pelo resto da tarde.